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Como uma cooperativa de 150 famílias em Codajás transformou o açaí em uma cadeia produtiva de R$ 31 milhões no Amazonas

A saca de 50 quilos de açaí, que valia R$ 6 em 2002 quando a cooperativa foi fundada, hoje é negociada por até R$ 80 entre novembro e janeiro. A trajetória da COOPCOD explica a virada, e serve de manual para outras cooperativas amazonenses em cadeias emergentes de tambaqui, pupunha e bubalinos.

RA
Redação Agrovia
Editorial
28 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Paneiros verdes tradicionais cheios de açaí colhido em Codajás · mão do produtor conferindo as bagas
Paneiros verdes tradicionais cheios de açaí colhido em Codajás · mão do produtor conferindo as bagas · Colhedores de açaí de Codajás

Antes da cooperativa, o produtor de Codajás dependia do atravessador que chegava de barco na porta da propriedade. Sem organização coletiva, o preço era ditado de fora e a fruta apodrecia se não fosse escoada em 24 horas. Em 2002, cem famílias se juntaram e fundaram a COOPCOD, Cooperativa Agropecuária de Codajás. Duas décadas depois, o município se tornou capital amazonense do açaí, foi o maior produtor do estado por quatro anos seguidos (2018 a 2021) e ganhou, em 2024, o selo de Indicação Geográfica.

Da fundação à fábrica de despolpamento

Antes da cooperativa, o produtor de Codajás dependia do atravessador que chegava de barco na porta da propriedade. Sem organização coletiva, o preço era ditado de fora e a fruta apodrecia se não fosse escoada em 24 horas. Em 2002, cem famílias se juntaram e fundaram a COOPCOD. A virada veio em 2004, quando a Suframa financiou, em parceria com a Prefeitura de Codajás e o Governo do Amazonas, uma fábrica de despolpamento e pasteurização. A polpa deixou de ser refém do tempo de escoamento, ganhou embalagem, prazo de validade e mercado fora do estado.

As três decisões que mudaram o jogo

Os números da cadeia hoje

COOPCOD e a cadeia do açaí em Codajás
IndicadorNúmero
Cooperados da COOPCODcerca de 150
Volume anual pela cooperativacerca de 400 toneladas (metade do município)
Preço da saca 50 kg (nov-jan)R$ 80 (era R$ 6 antes da cooperativa)
Produtores diretos no municípiocerca de 600
População que depende do açaícerca de 70%
Produção total 202318 mil toneladas
Estimativa 202432 mil toneladas
Movimento anual na cadeia localR$ 31 milhões
Fontes: IDAM, SEPROR e Agência Sebrae de Notícias/AM.

O que dá para copiar em outras cooperativas amazonenses

Codajás começou pequena e ainda hoje não é gigante. São 150 cooperados. O que mudou não foi o tamanho, foi a arquitetura da cadeia: agregação de valor local, formalização patrimonial e acesso a mercado externo. Cooperativas de tambaqui em Beruri, de pupunha em Rio Preto da Eva e de bubalinos em Careiro Castanho estão em fase parecida à da COOPCOD no início dos anos 2000. O caso mostra que a diferença entre depender do atravessador e formar uma cadeia estruturada não é vocação regional, é decisão organizada e crédito no momento certo.

Do ponto de vista do produtor amazonense que assiste à liberação dos R$ 75 milhões em crédito rural anunciada pelo governo do estado, o caso da COOPCOD funciona como referência prática. A linha FMPES-Rural foi desenhada exatamente para financiar o tipo de infraestrutura que virou o jogo em Codajás.

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