Antes da cooperativa, o produtor de Codajás dependia do atravessador que chegava de barco na porta da propriedade. Sem organização coletiva, o preço era ditado de fora e a fruta apodrecia se não fosse escoada em 24 horas. Em 2002, cem famílias se juntaram e fundaram a COOPCOD, Cooperativa Agropecuária de Codajás. Duas décadas depois, o município se tornou capital amazonense do açaí, foi o maior produtor do estado por quatro anos seguidos (2018 a 2021) e ganhou, em 2024, o selo de Indicação Geográfica.
Da fundação à fábrica de despolpamento
Antes da cooperativa, o produtor de Codajás dependia do atravessador que chegava de barco na porta da propriedade. Sem organização coletiva, o preço era ditado de fora e a fruta apodrecia se não fosse escoada em 24 horas. Em 2002, cem famílias se juntaram e fundaram a COOPCOD. A virada veio em 2004, quando a Suframa financiou, em parceria com a Prefeitura de Codajás e o Governo do Amazonas, uma fábrica de despolpamento e pasteurização. A polpa deixou de ser refém do tempo de escoamento, ganhou embalagem, prazo de validade e mercado fora do estado.
As três decisões que mudaram o jogo
Os números da cadeia hoje
| Indicador | Número |
|---|---|
| Cooperados da COOPCOD | cerca de 150 |
| Volume anual pela cooperativa | cerca de 400 toneladas (metade do município) |
| Preço da saca 50 kg (nov-jan) | R$ 80 (era R$ 6 antes da cooperativa) |
| Produtores diretos no município | cerca de 600 |
| População que depende do açaí | cerca de 70% |
| Produção total 2023 | 18 mil toneladas |
| Estimativa 2024 | 32 mil toneladas |
| Movimento anual na cadeia local | R$ 31 milhões |
O que dá para copiar em outras cooperativas amazonenses
Codajás começou pequena e ainda hoje não é gigante. São 150 cooperados. O que mudou não foi o tamanho, foi a arquitetura da cadeia: agregação de valor local, formalização patrimonial e acesso a mercado externo. Cooperativas de tambaqui em Beruri, de pupunha em Rio Preto da Eva e de bubalinos em Careiro Castanho estão em fase parecida à da COOPCOD no início dos anos 2000. O caso mostra que a diferença entre depender do atravessador e formar uma cadeia estruturada não é vocação regional, é decisão organizada e crédito no momento certo.
Do ponto de vista do produtor amazonense que assiste à liberação dos R$ 75 milhões em crédito rural anunciada pelo governo do estado, o caso da COOPCOD funciona como referência prática. A linha FMPES-Rural foi desenhada exatamente para financiar o tipo de infraestrutura que virou o jogo em Codajás.
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